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Incrivelmente os blogs estão em alta novamente, ou nunca deixaram de estar? Enfim, pensando em como seria bom ter um espaço de publicação, resolvi voltar ao mundo dos blogs para, finalmente, começar novamente a blogar como eu fazia há uns bons anos atrás!
Pra começar, nada melhor que uma das citações mais bonitas que eu já li; são trechos aleatórios extraídos do "Livro de Desassossego", de Fernando Pessoa:

"Sentir é uma maçada
Fingir é amar
Escrever é esquecer
Possuir é perder."

Eu postei como se fosse um poema puramente por uma questão estética. Há também esses poemas que eu extraí do blog de uma professora, pena que não posso colocar o endereço aqui uma vez que o blog é fechado.

Uma ode de Reis

Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria.
Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és.
Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto.Sê teu filho.

APONTAMENTO, de Álvaro de Campos

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra?
A minha alma principal?
A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Tão Álvaro, tão maravilhoso.

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