20

Várias vezes, no decurso da minha vida opressa por circunstâncias, me tem sucedido, quando quero libertar-me de qualquer grupo delas, ver-me subtamente cercado por outras da mesma ordem, como se houvesse definitivamente uma inimizade contra mim na teia incerta das coisas. Arranco do pescoço uma mão que me sufoca. Vejo que na mão, com que a essa arranquei, me veio preso um laço que me caiu no pescoço com o gesto de libertação. Afasto, com cuidado, o laço, e é com as próprias mãos que me quase estrangulo.
(20, Fernando Pessoa)
Propício para a nova idade, para o momento, situação. O laço do pescoço tem tantos nomes quanto Fernando Pessoa tem de identidades.

Pega pelo pulo!

Ok! Devo dizer que meu último post me pegou no pulo. Sim, meus caros....quando tive o último post citado por um amigo, não o reconheci. É verdade que foi apenas um trecho, mas não reconhecer minhas próprias palavras é vergonhoso. Talvez isso tenha acontecido porque ,em uma fração de segundos, eu tenha mudado de idéia. Ou não.
Hoje quero particularmente fazer um breve comentário - individualizado - sobre os comentários que me foram deixados; sinceramente, não pensei que esse post - talvez tão pessoal e ao mesmo tempo tão universal - pudesse resultar em comentários tão produtivos.

Ao meu queridíssimo Lô: sim. Bem mais introspectivo do que os posts que tenho dedicado a essa página, porém bem mais reflexivo em relação aos que venho postado na seção "Diário". Ver onde vai dar? Bom...isso faz parte do risco, não?
Quanto à nossa teoria do amor...bem, ela vai ficar estagnada por um tempo, eu creio. São perguntas sem aparente reposta, mas é fato (FATO) que houve sim uma banalização. Acho que eu ainda sou(somos) nova/imatura demais para pensar de forma sensata sobre esse assunto, e você, melhor do que muitas pessoas, sabe o quanto o meu exagero me faz tomar decisões radicais. A certeza que a maturidade vai me fazer mudar isso é o que me faz acreditar num futuro mais racional.

Arii, amada: seu otimismo me derruba, sabia? Você, mais do que eu, tem motivos para estar desacreditada das pessoas e me diz exatamente o contrário: que o risco vale a pena ser enfrentado só pelo sabor da experiência. Que as maiores frustrações te ensinam, mas que as menores conquistas causam “a maior alegria do mundo”. Salve Zeus e todo o Olímpo que me trouxeram você.

Por fim, ao Sr. (a) Anônimo (a): primeiro eu gostaria muito que você colocasse seu nome....seu comentário realmente me fez pensar e acredito que você possa me acrescentar muitas coisas.
Quanto ao velho risco? Pra mim acho que a pergunta já virou uma afirmação, mas pretendo muito que isso mude e logo.
Se você acredita que escrevendo seus problemas serão parcialmente solucionados, então o faça. É o único conselho mais seguro que tenho a lhe dar nesse momento. Também tenho as minhas ataduras e olha que não são poucas....mas me acostumei com elas e as trato como fazendo parte da minha vida. Devo aprender com elas e a saber lidar para que elas não me sufoquem TANTO ASSIM.

Por agora, é só!